segunda-feira, 14 de junho de 2010

Conceitos.

Pensando em sentimentos, pra que dar nome a eles? Encontro-me num estado de encanto sublime, superlativo, ácido, excitante... Não consigo definir bem este sentir. Sorriso largo quase escondendo os olhinhos, o cheiro de fruta nos cabelos, a textura, sua cor branca cegou tantos num canto, num conto por Saramago descrito. Olfato privilegiado daqueles que sentem seu cheiro, curvas feitas à mão por Niemeyer, contorno exótico, a magreza da estatura unida a um belo par de pernas, e que belo par de pernas! Pés delicados, no sentido inverso uma flor a porta do jardim encantado, fonte do anseio, do desejo; encontrar o que brota do centro, dentro, por cima, embaixo, só a vontade é determinista. Mais um par, dividido ao meio, no apalpar das mãos que acariciam; língua correnteza, seios sugados pelo mar... Calor, o aconchego das almas, a cumplicidade do espírito que eleva toda e qualquer emoção bem administrada. Mas o que é isto mesmo? É desejo? É tesão? É loucura? Nomenclaturas, conceitos, foram todos criados por outros; se for egoísmo pensar no meu sentir, egoísta nato sou. Se de fato eu não consigo explicar bem esse misto de sensações que você desperta em mim, como um ser com outras vivencias, experimentos, pode afirmar se o que sinto é amor? O que chamam de amor, uma projeção bem elaborada de alguém? E o outro lado como fica? Sinto apenas, não posso explicar o que ainda não compreendo bem.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Quinta no Boteco de Vilas.

Venha dividir sua alegria com a gente!


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sol.




Tem mais estrelas no céu
Do que pessoas na terra, verdade,
Nem todo brilho enriquece.
Homens querendo roubar invenções da natureza,
Eu sei, o correto é não saber.
Pra que falar a verdade, se a luz favorece o ato de pensar?
Nasce a luz é da escuridão,
Somos o universo em expansão.
É preciso o vazio enquanto vida há,
O que fica é relativo, abstrato...
O olhar, a perspectiva pois,
Um balão vazio pode estar cheio de ar.
Luz do dia o sol, no escuro da noite a lua,
Refletindo a luz que ele deixou...
O sol, como estrela maior.

domingo, 23 de maio de 2010

Autenticidade.




Eu que detesto oscilações no humor, ando muito inconstante.
Verdade que nunca permito-me sentir o que naturalmente "todo mundo sente", tenho resistência a esta dita “normalidade”, ela existe realmente? Acabo me indagando às vezes, quando vai passar esta falta de sossego? Este coração batendo desritimado do tempo, dono e proprietário das razões deste mundo que quase me enlouquece, me ensurdece, me cega. Os sentidos confusos destampam idéias nem um pouco sadias. Enquanto descrente, de quase tudo diga-se de passagem, não controlo nada ao meu redor. “Crer é muito monótono.” Sábias palavras! Mas quem as disse mesmo? E alguém se importa?! O que fica são apenas fragmentações daquilo que penso, consumo, exponho. Num vasto campo de situações, o que está para ser degustado, não me gusta;
Ser humanozinho chato eu viu?! Desculpa, autenticidade é coisa rara na cena, e eu faço uso da que possuo. Mas voltando ao assunto do sentir, o que é isto mesmo? Sentir? Verbo transitivo, direto ou indireto? Quando vou diretamente ao assunto aquele outro verbo não quer ser conjugado.
É, aquele outro lá que a gente insisti em pluralizar sua singularidade. Amar é tão subjetivo. O espírito ama, e alguém já tocou o espírito? Por favor, apresente-se a minha insignificante pessoa, rogo que não exite por assim fazê-lo. Tens aqui um seguidor(a), ou talvez, com a nossa modernidade, uma fã. Quando indiretamente me apresento, bloqueio no mesmo instante uma resposta rápida, concreta, precisa, do que se espera. Que tédio!
A subjetividade também me cansa, mesmo que só de vez em quando, cansa-me. Uma coleção de coisas, atos, gestos, somam essa minha descrença, não que seja de todo ruim, entretanto, no estado lúcido em que me encontro, a monotonia corrompe a pureza da carne, e o que chamam de espírito, foi-se para ‘tão - tão distante’, lugar onde o encanto permanece vivo sempre, e para todo o sempre.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Delicadeza.

Escrevo linhas em tua vida.
Uma foto na página web.
Na era da informação, o alcance.
Seus traços impressos no blog revelam
A emoção que aflora,
A delicadeza...
A sutil forma representativa do afeto.
Detalhes nas cores.
O desabrochar da flor semeia em ti, amor.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Luz e ventilador.




Quando fechastes a porta
Minha lágrima secou.
No relógio as horas passam
São voltas e voltas, ventilador.
No rádio Chopin soou,
A luz no teto gira o ventilador.
Secou a lágrima, secou.
O universo inteiro... E a lágrima secou.
O vento que sopra a luz e,
O ventilador.
Afasta de mim essa angústia
A luz do ventilador.
Eu que quase não sinto,
Quase não amo...
Quase não sei dizer.
Em ré bemol escrevo...
Dominante o sol enquanto clara é, a luz do dia.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Da Janela.

Da janela, na sala de casa, observo um velho moço, buscando no lixo o 'pão nosso de cada dia'. As sobras do meu almoço, do café da noite de ontem, seu banquete. As crianças em volta brincam inocentes, com fome, com frio, com sede... No olhar, interpreto o desejo de nunca mais sentir aquela sede. Deus! Até quando, eu, hipócrita, ficarei de pé, na minha janela, sentindo muito apenas...sentindo por não conseguir mudar aquela realidade, diante de mim mesma, tão próxima à vida que eu penso ser minha, uma realidade inescrupulosa? Déficit na educação? Talvez... e a fome? Dois seres no tele-jornal, bárbaros, disputando um pedaço de frango, em estado de putrefação, isso não é apelação de novela das oito não, é real, acontece no dia a dia, porém quase ninguém vê, mais vale o ouro aos olhos, fato. A fome não tem cor, nem luz. Dividi em pedaços meu espírito o estado em que me encontro, impotente, assim eu me sinto. Saciar a fome daquele moço, não garante sua 'barriga cheia' amanhã. Um discurso clichê falar em sedimentar a base para uma mudança, essa sociedade entende o que é base? Sério? Como? Se há tantos morrendo de fome! ... Uma infinidade de interrogações vagando em meu pensamento, só, é dificíl mudar toda uma civilização, mas cada ato meu, influencia o que colhemos no futuro. Cabe a mim decidir por passar adiante a ignorância, o descaso, ou, sinalizar a falha no sistema, despertar no próximo uma reflexão, e junto a mesma, ação.
Eu, que não como carne cozida, e reclamo a minha mãe por ela não ter assado um pedaço da mesma, ainda assim, tenho um pãozinho com queijo no jantar, enquanto aquele velho moço, e tantos outros, sabe Deus há quantos dias não se alimentam!?
Até quando?